Pular para o conteúdo principal

DESTAQUE:

Setembro Amarelo é mais do que uma campanha

 Oi oi pessoas, como vocês estão? Essa semana é a minha estreia aqui no blog e vou conversar com vocês sobre saúde mental, bem-estar e autoconhecimento. E já que estamos no mês de Setembro acredito que é importante falarmos do Setembro Amarelo. Você já ouviu algo sobre isso?  Como começou a campanha Setembro Amarelo? Em 1994, um jovem americano de 17 anos, chamado Mike Emme, tirou a própria vida dirigindo seu carro amarelo. Comovidos com a situação, seus amigos e familiares distribuíram no seu funeral cartões com fitas amarelas e mensagens de apoio para pessoas que estivessem passando o mesmo desespero de Mike, e a mensagem foi espalhada mundo afora e chegou no Brasil.  Aqui no Brasil a campanha Setembro Amarelo foi criada a fim de informar a população e prevenir o suicídio. Afinal de contas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada 40 segundos uma pessoa tira a própria vida em algum lugar do planeta, e o suicídio é a segunda principal causa de morte em jovens com idades en

Televisão, Apelação e Manipulação

Nos últimos dias, em uma das emissoras de televisão aberta mais assistidas do país, em um programa exibido em horário nobre, um certo apresentador colocou meninas, CRIANÇAS, para participarem de um concurso de beleza, e elegerem a garota de corpo mais bonito. As crianças, meninas de no máximo dez anos de idade, competindo entre si para descobrirem quem era a mais bonita. Aparentemente, com uma atitude repugnante dessa, chegamos ao ápice do machismo, da "adultização" de crianças, promovida por aquele senhor, que abertamente apoia aquele outro senhor - cujo nome não quero citar aqui porque me dá nojo - que enchem a boca para defender a "família tradicional brasileira".

Esse tipo de "entretenimento" (se é que dá para chamar assim) só reforça ideias e estereótipos apelativos que tornam as mulheres (no em questão, pior ainda, CRIANÇAS) inseguras e objetificadas. Primeiramente, promover concursos de beleza já reforça padrões que para a grande maioria das mulheres REAIS são praticamente impossíveis de alcançar, e promover concursos de beleza entre crianças, não só reforça esses padrões, como cria uma "horda" de crianças que vão crescer inseguras com o próprio corpo, com a própria imagem, e reforça a ideia de que a beleza é o mais importante, quando não tudo o que se tem a oferecer. 



Crianças sofrem todos os dias com brincadeiras de mau-gosto e apelidos por serem gordas, por serem muito magras, por terem cabelos crespos, por serem negras, por serem brancas, e a nossa geração que acordou para esse tipo de comportamento e entende que isto não é saudável, que pode causar traumas e inseguranças para a vida adulta, ainda tem que ter paciência para escutar uma geração de adultos mal-resolvidos, que nunca pisaram num consultório de psicologia, que projetam todos os seus traumas e pensamentos retrógrados nos filhos, netos, e etc., dizer que o nome disso é "frescura".

Além de reforçar padrões de beleza e expor crianças a uma competitividade desnecessária, exibir garotas de dez anos de idade em trajes de banho na intenção de descobrir "quem tem o corpo mais bonito", esse tipo de exposição é quase um convite à pedofilia.

Essa cultura apelativa é uma das principais características da televisão brasileira: em programas de humor nos quais mulheres são exibidas seminuas - ou totalmente nuas -,  em novelas nas quais as atrizes precisam mostrar o corpo e ficam conhecidas por "a bunda da Fulana", em programas de auditório, nos quais os palcos estão sempre repletos de mulheres lindas e dentro dos padrões "aceitáveis" dançando de biquíni. São exemplos que quase sempre passam despercebidos, que estão a todo momento reforçando a ideia absurda de que o papel principal da mulher na sociedade é ser bonita.

E o pior é que as pessoas estão tão afogadas nessa cultura que vem há anos ensinando errado, que para muita gente é normal manter esse tipo de comportamento, e isso é incentivado e aplaudido por aqueles que se dizem "a favor da família tradicional brasileira". É aí que entra a importância de ler, estudar, questionar: o senso crítico. No que depender da televisão aberta, bem como muitas outras formas de "cultura" do nosso país, a programação vai ser sempre apelativa, vazia de conteúdo, tendenciosa, porque quando a população em massa abrir os olhos para o senso crítico e começar a questionar, os grandes poderes estarão em risco. Então o melhor que podemos fazer é desligar a nossa TV e buscar o conhecimento que ninguém nos oferece de bom grado.

Comentários