A Volta da Censura - Brasil do Retrocesso

Quando a gente para e pensa, parece inacreditável que quase em 2020, com tanta tecnologia e tanto acesso fácil à informação, estejamos voltando à era da censura. É inacreditável também, que esta censura seja incentivada por jovens, pessoas que deveriam ir contra a corrente e questionar valores impostos, construções sociais, paradigmas, em função de viver a maior e mais necessária liberdade: a liberdade de ser. 

Há uma massa que acredita que calar a voz dos mais fracos é lutar em favor da família. Há uma massa que acredita que censurar informações sobre meio-ambiente é benefício para a economia. Há quem acredite que omitir informações sobre corrupção é não ser corrupto. E o pior de tudo, é que esta massa é tão cega nas suas crenças, que esquece que nós, como cidadãos, não devemos estar do lado de ninguém além de nós mesmos. 

Falando em censura, é muito fácil entender o porquê chegamos a este ponto, basta ir lá atrás, na época em que quem falasse qualquer coisa contra o governo poderia ser até morto. A censura existiu para calar a voz de quem pedia por mudanças numa época de regime autoritário, onde o governo militar fazia o que bem entendia de qualquer cidadão sem precisar prestar contas a ninguém. ARTISTAS foram censurados, porque na música, na literatura, nas artes plásticas, eles mostravam que o sistema de governo estava prejudicando a todos em prol de uma ideologia que só visava o poder. 



E o que está acontecendo hoje? Sob um governo que omite dados e censura informações que lhe desfavorecem, o conservadorismo ganha força para atacar tudo aquilo que não lhe agrada, mesmo que não lhe diga respeito. O caso do prefeito que mandou recolher quadrinhos apenas por terem imagens de dois homens se beijando mostra o atraso em que estamos nos colocando. Nas emissoras de televisão, mulheres seminuas, novelas que mostram cenas de sexo, violência, traição, tudo em horário nobre. Mas o que incomoda a massa conservadora - e hipócrita - é o beijo entre dois homens, porque para essa massa, é preciso ensinar desde cedo que homem tem que gostar de mulher, e para isso não importa se uma criança está exposta a conteúdo sexualmente apelativo. Para quem é preconceituoso, o filho deve ser ensinado desde criança que ver mulheres seminuas é bom, acreditando que isso o fará um homem viril, másculo, heterossexual, deixando de lado toda a inocência que é tirada com essa exposição. E o que vai contra seus pensamentos pequenos é condenado, mesmo que isso não lhe cause influência alguma.

Porque é que a vida do outro incomoda tanto? Bom, essa é uma pergunta realmente difícil de responder, mas a dica é: se algo em uma pessoa que sequer faz parte da nossa vida nos incomoda, devemos antes de qualquer coisa, olhar para dentro de nós mesmos. E de um ponto de vista geral, devemos sempre ir contra a censura. A censura é, sempre foi e sempre vai ser um ato político de esconder e impedir a veiculação de uma informação que desfavoreça a quem está no poder. E se desfavorece, cabe a nós, como sociedade, como eleitores, como pessoas, cobrarmos a verdade. 

A Bibliotecária de Auschwitz, pág. 13. Romance escrito por Antonio G. Iturbe baseado em fatos reais.



Para um país em que um presidente foi eleito sob o discurso de defender a "família tradicional brasileira", o que percebemos é que a população, em grande parte, ainda tem um preconceito muito grande com o que é diferente, achando que sabe o que é melhor para a vida do outro, mesmo que este outro seja desconhecido. E estamos tão cercados pelo ódio, que ao nos posicionar de forma crítica, somos afogados em uma onda de termos que para eles, são ofensivos. Não, eu não sou comunista, eu não sou petista, eu não sou esquerdopata, eu sou cidadã, eleitora, contribuinte, e como tal, me esbaldo do direito de cobrar a todo e qualquer governo e governante, de atitudes que sejam coerentes e benéficas a todos, e é isso o que todos deveriam fazer, antes de defender com unhas e dentes um governo que está nos colocando em total polarização como uma estratégia de manipulação para conseguir o que quer. O que o outro faz da vida dele é problema dele, mas o que o governo faz das nossas vidas é problema de todos.
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