quarta-feira, 29 de março de 2017

Precisamos Falar Sobre o Kevin

Um dos livros mais impressionantes que já tive o prazer de ler! Precisamos Falar Sobre o Kevin é completíssimo, construído em uma narrativa incrivelmente bem detalhada. Escrito por Lionel Shriver, jornalista, nascida em maio de 1957 no estado da Carolina do Norte EUA, o livro choca o leitor de imediato pela sinceridade. A história é contada por Eva Katchadourian a partir de sua perspectiva de uma mãe que sofre com um filho problemático. Aborda o tema de violência nas escolas na vivência de quem carregará o maior fardo: a mãe do assassino.

Livro Precisamos Falar Sobre o Kevin, de Lionel Shriver

Eva era dona de uma agência de viagens e devido ao trabalho, conheceu muitos países, culturas, pessoas. Sua vida dependia desse combustível. Ao se casar com Franklin o ritmo das viagens começa a diminuir, até que ela descobre que está grávida. A gravidez não só a impede de viajar, como também de fazer outras coisas de que gosta como se exercitar ou desfrutar de um bom vinho. Eva então se abre, sobre seus sentimentos mais íntimos com relação a Kevin desde a sua gravidez até depois do "grande dia" através de cartas que escreve a Franklin. Kevin foi um bebê que chorava incessantemente, foi uma criança problemática que não gostava de nada que a mãe fazia, não brincava, não se comunicava, não comia. E um adolescente enigmático. Exceto quando seu pai estava por perto. Ele se esforçava para magoar a sua mãe com a mesma intensidade da qual se esforçava para agradar ao pai e demonstrar ser um filho exemplar. Eva sempre comprou briga com Franklin por insistir que seu filho não era normal. Mas no seu íntimo, acreditava que Kevin era um reflexo de seus próprios sentimentos em ser mãe: de todas as vezes que desejou viver de outra forma antes mesmo de Kevin nascer. Eva convive com o remorso, com a culpa e sendo julgada pelas pessoas pelo erro que seu filho cometeu.
A autora explora muito bem os sentimentos de culpa e arrependimento, fazendo você comprar a ideia de que aquele caso de violência adolescente é um caso verídico. Faz você pensar em todos os casos conhecidos de assassinatos em escolas e encaixar as histórias. Cita dados de outros atentados que ocorreram em diferentes estados, como se Eva já previsse o que estava prestes a acontecer. É realmente um livro marcante, você nunca se esquecerá dos detalhes desta história. E uma dica: antes ou depois de assistir ao filme, não importa a ordem, leia o livro! É muito mais completo e os sentimentos de Eva são tratados de forma muito mais explícita. Leitura que não pode faltar para a sua lista. 

Capa comum: 464 páginas
Editora: Intrínseca; 
Idioma: Português
Dimensões: 22,6 x 15,6 x 2,6 cm
Peso do produto: 640 g
Preço médio: entre R$33,00 a R$49,90 na www.amazon.com.br

sexta-feira, 24 de março de 2017

Ansiedade de Dentro Pra Fora

É inacreditável pensarmos que existe ainda um certo tabu quanto a este tema, mas como a bad girl aqui não tem medo de dizer o que pensa, vou expor a verdade pelo lado que mais entende do assunto: o lado de quem já sentiu na pele.
De acordo com  Organização Mundial da Saúde (OMS) 33% da população mundial sofre de ansiedade. Apesar de ser um número alto, ainda há muito o que se falar sobre ansiedade, e por mais que o "mal do século" tenha muitas matérias, publicações, artigos, vídeos explicando como é, quais os sintomas, qual é o tratamento mais adequado, falta sensibilidade por parte das pessoas que não conhecem o problema. Compreensão é algo que alguém que sofre desse mal não espera, já que para isso é preciso sentir-se da mesma forma. Mas respeito nunca é demais. Eu não quero falar sobre o que é ansiedade, mas sim dividir um pouco com as pessoas como é viver com isso e quem sabe ajudar a alguém a ser menos impaciente, menos jocoso. A ansiedade é um problema sério e que precisa de tratamento e tão importante quanto o tratamento é o respeito e a empatia, e de qualquer, forma nunca sabemos como será o nosso amanhã, não é mesmo?



Ninguém tem a vida perfeita e ninguém é igual a ninguém, cada pessoa reage de uma forma aos acontecimentos, e o que mais pode aborrecer a alguém que sofre de ansiedade é a falta de respeito e tato das pessoas que o cercam. A pessoa que sofre de ansiedade dificilmente conta para alguém, ou conta somente para alguém que é maduro o bastante para não fazer piadas sobre o assunto, - acredite, não tem a menor graça - ou dizer que é besteira, bobagem, frescura. Sofrer de transtorno de ansiedade é muito mais do que esperar ansiosamente por algo, é viver com medo, viver apreensivo, é estar sempre preocupado. Ao mínimo sinal de que algo pode dar errado uma onda de pensamentos pessimistas tomam conta do dia, dos afazeres, da distração, do sono. É acreditar que se há a possibilidade de dar errado, com certeza vai dar errado. É deitar na cama e não conseguir dormir direito por mais cansado que você esteja. É sofrer por antecipação aos fatos. É se isolar. 
Uma crise de ansiedade pode durar minutos, horas ou dias. Enquanto a crise trabalha discretamente o corpo reage, pede socorro. Dor de estômago, dor de cabeça, dor no peito, falta de ar, dor de barriga, tontura, cansaço exagerado. É o corpo pedindo ajuda. É o sinal de que não é possível viver com isso, de que é preciso ajuda. E o mais incrível nessa história toda é que para uma crise dessa não precisa muito - para quem sofre de Transtorno de Ansiedade Generalizado (TAG) muitas vezes não precisa de nada, ela só vem. Acaba com os nossos planos. Destrói o nosso bom-humor. Consome a nossa saúde. Confunde nossa sanidade mental. Esmaga nossos sonhos. O medo pode ser maior que qualquer vontade de viver. O medo pode ser maior que tudo, e essa é a parte mais triste. É totalmente desconfortável permanecer em ambientes barulhentos. Gritos, nem pensar. E muitas vezes o "antissocial" passa mal e tem vontade de sair correndo de ambientes cheios, porque a remota possibilidade de todas aquelas pessoas lhe desviarem os olhares causa pânico. Nenhum lugar é seguro o bastante, confortável o bastante, descontraído o bastante. O isolamento é resultado de pensar que ninguém pode compreender o que se passa. Sair de casa para algumas horas de diversão pode ficar para outro dia. Outro momento. talvez quando tudo isso passar. A única paz muitas vezes se encontra na solidão.
O que pode causar um TAG? Depende de cada caso, são muitos fatores, pode ser por um trauma ou por uma situação ruim que se estende por muito tempo, pode ser que tenha suas raízes na infância, pode ser causado por um longo período de intenso estresse. A única pessoa capaz de responder a isso é o profissional que vai ajudar a resolver esse problema. Leva tempo, é preciso paciência, de quem sofre de ansiedade e das pessoas próximas. É preciso saber que ninguém é culpado. Ninguém escolheu sofrer. É preciso ter consciência de que não podemos julgar a ninguém. São somos melhores para isso, somos apenas diferentes. Se você sofre com ansiedade, não deve ter vergonha de procurar ajuda, entenda que você não merece conviver com isso sozinho. E para você que ama alguém que tem TAG, esteja do lado dessa pessoa, muitas vezes só o que ela precisa é que você demonstre que se importa e lhe dê um abraço apertado. Espero sinceramente e de coração aberto que estas palavras possam ajudar, mas se você se identifica com os sintomas, com a angústia, novamente eu recomendo: procure ajuda profissional. Beijos no coração :* <3

quarta-feira, 22 de março de 2017

The Devil Makes Three - The Devil Makes Three

Pegue country music, blues, folk, misture. O resultado é um ritmo contagiante para você ouvir várias vezes sem enjoar. Assim é o som da banda californiana The Devil Makes Three. Formada em 2002 pelo guitarrista Pete Bernhard, a contrabaixista Lucia Turino e o guitarrista e tocador de banjo, isso mesmo, banjo, Cooper McBean. Isso mesmo, não tem baterista. Com um arranjo musical desse você já deve imaginar que o som dos caras é bem original, não é mesmo?


 A banda já tem 8 álbuns lançados e a minha dica para vocês é o álbum chamado, coincidentemente, (?) The Devil Makes Three, primeiro álbum gravado, em 2002. O álbum tem 14 faixas, as músicas em geral são curtas, todas contagiantes, com sonoridade leve, melodias que fazem você se sentir como ouvindo a trilha sonora de um filme sobre o interior do Texas, vocais leves que se deixam levar pelo clima tranquilo das canções. É um vício. Não posso dizer que tenho uma canção favorita, confesso que sempre escuto o mesmo álbum umas duas ou três vezes seguidas, além dos outros trabalhos da banda, mas darei destaque para algumas faixas mais contagiantes como The Plank, Graveyard (se eu tiver uma favorita, com certeza é esta!), Ten Feet Tall, Old Number Seven (música chiclete), The Bullet e Dynamite. 



E agora Graveyard, é IMPOSSÍVEL não amar!
 

A a boa notícia é que apesar de ser uma banda pouco conhecida, você encontra todos os álbuns no Spotify (essa maravilha!) e como eu sou bem legal, está aqui na playlista da semana! Beijos e espero que gostem :*

segunda-feira, 6 de março de 2017

Meu Menino Vadio

Meu Menino Vadio é um dos livros que veio para nos mudar, para nos fazer enxergar além da beleza, além das aparências, além do óbvio. É sensacional e o tipo de leitura que todo e qualquer ser humano na face da terra deve fazer. 

"Se eu queria ter um filho autista? Não. O que a convivência com ele me proporciona mais: prazer ou angústia? Angústia. Ainda assim, amo meu filho? Mais do que qualquer palavra pode traduzir."


 Sobre Meu Menino Vadio


Escrito por Luiz Fernando Vianna, jornalista, carioca, nascido em 1970, que já trabalhou em jornais como O Globo e Folha de S. Paulo e publicou cinco livros sobre música popular, Meu Menino Vadio nos traz o seu dia-a-dia e de seu filho Henrique. Henrique é autista e Luiz Fernando nos conta sem pudores sobre como é ter um filho autista. Ao contrário do que muita gente pensa, ter um filho autista pode não ser uma benção, os desafios são muitos: a educação e socialização de seu filho, a compreensão das pessoas que os cercam, a falta de assistência, a ignorância, e os sacrifícios que tem que fazer como pai, a vida amorosa que parece impossível, a vida social decadente, os planos que ficaram em segundo plano, os sonhos para seu filho que não serão possíveis.

Minha Opinião Sobre Meu Menino Vadio


A obra é muito bem estruturada, os capítulos são curtos, para o título de cada capítulo um trecho de música diferente cujo significado é quase um resumo do que tem por vir. Emocionante do início ao fim e um pouco angustiante, expressa pensamentos e sentimentos de maneira avassaladora, já no início da leitura. A maneira como os fatos são expostos sem pudor torna um livro honesto e ao mesmo tempo lindo. Um dia é o suficiente para que seja devorado.

Capa comum: 208 páginas
Editora: Intrínseca ( janeiro de 2017)
Idioma: Português
Dimensões do produto: 22,8 x 15,4 x 1,6 cm
Preço médio: R$30,00 na www.amazon.com.br