terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Por Lugares Incríveis

Finalmente fiz a leitura de Por Lugares Incríveis e o livro atendeu e superou minhas expectativas. Escrito por Jeniffer Niven, 48 anos, nascida em Carolina do Norte - EUA, e este é o seu primeiro livro para jovens, publicado em 2015 em 37 países. 

Livro Por Lugares Incríveis


Para quem possa pensar que é mais um livro romântico, está enganado, apesar de ter uma linda história, aborda temas como depressão e suicídio. É narrada por Theodore Finch e Violet Markey, ambos adolescentes e estudantes do ensino médio. Finch mora com a mãe e duas irmãs, seu pai os deixou há cerca de sete anos para morar com outra mulher, e normalmente tem um comportamento agressivo com os filhos. Violet era uma das garotas populares da escola, namorava um dos caras mais desejados, até que sua irmã e ela sofreram um acidente de carro e somente ela sobreviveu. Desde então ela se pergunta o porquê de tudo ter acontecido. O destino dos dois se cruza quando se encontram na torre do sino dentro da escola e Finch que estava refletindo em como seria se jogar lá de cima, acaba ajudando Violet a descer da torre em segurança. Como Finch já tem o costume de fazer coisas "estranhas" todos acreditam que Violet estava lá para o salvar de pular e eles deixam que os boatos corram para não decepcionar os pais dela. Então, Finch começa a se aproximar de Violet, e em uma aula de geografia o professor passa um trabalho para ser feito em dupla, um projeto no qual terão de conhecer lugares inexplorados por eles em Indiana e seus arredores e ao final registrar em relatórios, fotografias e tudo o que puderem expor. Finch imediatamente escolhe Violet. Daí começa, com uma certa resistência, uma amizade verdadeira e profunda. Os dois têm depressão e a companhia, os descobrimentos, as experiências e diferenças entre eles os fazem enxergar a vida de forma mais otimista e os mantém ligados um ao outro. A narrativa é feita pelos dois personagens, muitas vezes da mesma situação mas por seus diferentes pontos de vista. Nos conta como um mudou a vida do outro de cabeça para baixo e como Finch ajudou Violet a ser ela mesma, a ser mais corajosa e aventureira. Finch descreve sua depressão e como as coisas parecem, do seu ponto de vista, que serão sempre da mesma forma.

Jennifer fez um ótimo trabalho com a obra mantendo equilíbrio e leveza em temas tão sérios como depressão, morte e suicídio. Descreve os sentimentos de abandono, isolamento, a dor da perda, e o descaso das pessoas para com aqueles que possivelmente sofrem de depressão. É algo que nos faz abrir os olhos para um problema sério e perceber que muitas vezes os próprios familiares de quem sofre de depressão ignoram ou não aceitam o problema. Muito bem estruturado, nos traz ainda as notas da autora ao final da história, das quais ela compartilha algumas de suas experiências pessoais com depressão e suicídio, e nos fala um pouco sobre cada ponto turístico que Violet e Finch visitaram. É um daqueles livros que muda nosso ponto de vista sobre muitas coisas, quase uma leitura obrigatória, e agora mais um dos meus favoritos. 

Editora: Seguinte
Idioma: Português
Dimensões do produto: 22,8 x 16,2 x 1,8 cm
Peso do produto: 358 g

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Livin' The Dream - The Heartwells

Amiga, amigo, galera, corre pro Spotify, digita lá no artista: The Heartwells! Conheci esta banda por acaso e agora estou simplesmente amando, viciada! No melhor estilo de música country, rock country, O álbum Livin' The Dream lançado em 2010 pela gravadora Southstar Music Group traz 12 faixas muito bem produzidas e fica difícil dizer quais são minhas favoritas. Gary Ray and The Heartwells são uma banda americana e tem apenas um álbum até o momento. 


Com sonoridade muito limpa e um vocal impecável de Gary Ray, o estilo da banda é alto-astral e calmo ao mesmo tempo, para todos os bons momentos, para cair na estrada, pra curtir sozinho em casa, pra ouvir no rock bar,  pra qualquer bom ouvinte de rock gostar. Embora eu goste do trabalho deles do início ao fim, vou dar destaque para Soldier's Eyes, que é simplesmente fantástica e com uma letra bem construída, Quick Bucking Around, Mississipi Streets e a baladinha I'm Gone. Agora vamos curtir o som de Soldier's Eyes!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

A Cura de Schopenhauer

Mais uma elegante obra de Irvin D. Yalom, um dos melhores autores que tive o prazer de conhecer. Yalom é psiquiatra e escritor americano, e este é o segundo livro dele que indico aqui no blog, o primeiro foi O Carrasco do Amor - E Outras Histórias Sobre Psicoterapia



Yalom tem um estilo muito elegante de escrever, descrevendo histórias envolventes que despertam o interesse de qualquer leitor no mundo misterioso da psicologia e psiquiatria, e com A Cura de Schopenhauer, escrito em 2005 não poderia ser diferente. A narrativa nos traz histórias que se cruzam de personagens em busca de alívio na psicoterapia ao mesmo tempo que nos conta um pouco sobre a vida de Arthur Schopenhauer, filósofo alemão do século XIX. Julius, o psiquiatra protagonista da história trabalha atualmente com terapia de grupo, e descobre que tem um melanoma que faz com que seus dias estejam contados. A partir desta descoberta Julius começa a pensar sobre sua vida: sobre o que realizou, as pessoas a quem ajudou, sobre sua carreira e seus pacientes. Pensando em fazer um "acompanhamento" de alguns pacientes dos quais tratou, entra em contato com Philip, que foi tratado há 22 anos por ele por ter um comportamento frio e excessivo com relação ao sexo: Philip teve relações com centenas de mulheres das quais não se lembra o nome e em muitos casos nem ao menos o rosto, viveu por anos uma vida vazia, nunca conseguiu se aproximar afetivamente das mulheres que conhecia. Para a surpresa de Julius, Philip está não somente curado como se tornou um terapeuta. Para que Julius possa fazer a "análise" da pós-terapia de Philip, tem a condição de o supervisionar profissionalmente. Julius aceita a troca e então Philip começa a participar das sessões de terapia em grupo. Após muito estudar Schopenhauer, Philip se considera curado do seu comportamento anormal com relação às mulheres e ao sexo, porém, agora ele se tornou um homem frio e distante, isolado de qualquer tipo de interação social, e portanto para ele vai ser um desafio se abrir com o grupo de terapia. 
Yalom é fantástico, sempre descreve a psicoterapia e seus resultados, os personagens e seus sentimentos de forma suave e clara, o que faz a leitura ser cativante, interessante e viciante, é mais um dos livros que você devora sem perceber, página por página, como se não pudesse parar a leitura por nada, sempre querendo saber o que vai acontecer em seguida, um deleite contra o tédio.
Impresso em 2016 pela editora Harper Collins, tem 368 páginas, 23cm, traduzido por Beatriz Horta, e o preço do exemplar é cerca de R$31,00 na amazon.com.br. 

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

As Assustadoras Mulheres Independentes

Mulher é um bicho forte, e quando descobre que é forte e assume sua natureza implacável, assusta. A sociedade ainda está acostumada com a imagem da mulher romântica, delicada, desprotegida, e quando se depara com uma fortaleza feminina acha diferente, fora do padrão. O padrão, minha gente, é a média, ou seja, ser mediano, nem bom e nem ruim. Ser diferente é muito mais gostoso. Ser mulher independente é muito mais gostoso.



Você que é mulher e dona da sua vida já deve ter escutado dizerem que "assim você não vai arrumar namorado", "você não pode ir a este lugar sozinha porque é perigoso, precisa de um homem pra ir com você", "você tem que deixar o homem pagar a conta senão fere a masculinidade dele". Eu como tenho resposta para tudo na ponta da língua diria que "eu vou arrumar namorado se for uma pessoa boa o suficiente pra mim", "eu vou ao lugar que eu quiser sozinha porque não posso depender de homem para viver" e "não preciso de um homem para pagar minha conta, eu trabalho". Parece grosseria mas que a santa verdade seja dita. Pois bem, nós, mulheres independentes, que trabalhamos, estudamos, pagamos nossas contas sem a ajuda de ninguém, compramos nossos bens materiais com nosso dinheiro, saímos e viajamos com nosso dinheiro, temos nossos princípios como qualquer outra mulher. Somos bem resolvidas com nossos objetivos. Sabemos onde queremos chegar e o que queremos. E continuamos sendo mulheres. A mulher independente não quer um homem que lhe pague o jantar, ela quer companhia, não quer um homem que lhe cubra de presentes ou que lhe sustente, ela quer alguém que esteja presente, que planeje o futuro. Não quer ser conquistada por métodos clichês, quer se descoberta por sua personalidade e virtudes. Uma mulher independente não quer alguém em quem mandar, quer alguém com quem se entenda bem. Não quer alguém que esteja acima dela, quer alguém que caminhe ao seu lado. E muitas vezes ela também só quer curtir o momento. E ao mesmo tempo, não tem medo de ficar sozinha porque sabe que só precisa dela mesma, porque ela luta por ela mesma. Não se sujeita a ser insignificante, não leva desaforo pra casa, não aceita ser a outra, não aceita ser traída, não aceita ser desvalorizada. Ela é segura de si. Nesta segurança toda, nesta fortaleza, nesta imagem de mulher super poderosa é que entra a frase "é por isso que você está solteira". Claro, quem gosta de profanar esta audácia são pessoas que não entendem a essência da mulher independente, e acreditam que todas as mulheres devem ser princesas. Mas para a mulher independente, a assustadora mulher independente, que sabe da sua natureza isso é só mais um paradigma ultrapassado, ela sabe da força que tem e sabe que para desmontar a armadura tem que ser forte também, e no final de tudo sempre fica tranquila porque sabe que se não desmontar, o guerreiro não é forte para lutar ao seu lado.