A Era das Aparências

A magnífica era da internet, o mundo virtual que quase sempre substitui a vida comum, esconde as tristezas, e basta uma senha para ser o melhor ser humano que já existiu.

As redes sociais são muito úteis, e a internet é uma dádiva: em questão de segundos finalizamos uma compra, nos localizamos em qualquer lugar, encontramos qualquer tipo de informação, conhecemos pessoas, procuramos emprego, trabalhamos, estudamos, mantemos contato com parentes e amigos distantes, tudo através da internet. Algumas vezes me flagro me perguntando "como deve ter sido ter a minha idade na época em que meus avós eram jovens? Como eles viviam sem tudo isso?". Parece quase impossível por toda a facilidade à qual nos acostumamos. Mas essa facilidade prende as pessoas a um estilo de vida vazio. Estamos presenciando a era dos likes, dos filtros, das hastags, do "manda nudes". Perdeu-se a linha entre o necessário, o útil, o prático e o exagero, o vício, a dependência.


Quantas curtidas vale uma auto-estima? 


Na era das aparências, do superficial, do ego, quantas curtidas vale uma auto-estima? Postar foto é legal, todo mundo gosta de ver que teve curtidas na sua foto, mas é necessário se lembrar que é somente uma foto, e que o caráter das pessoas não se mede por curtidas. Existem pessoas que a cada duas horas postam uma foto fazendo pose, aguardando e verificando ansiosamente por curtidas. É foto de tudo o que faz. Tem pessoas que só faltam apelar para a nudez completa para ganhar curtidas, e há quem já o faça.  Tem foto no hospital para mostrar que está doente, o que é extremamente desnecessário, e eu particularmente acho que quando alguém posta foto doente, moribundo no leito do hospital, em casa e seja lá onde for, é de uma carência extrema e se alguém curtiu, olha lá hein, acho que a pessoa está gostando.

A imagem exibe um homem com o rosto coberto fazendo uma foto de si mesmo (selfie)


Alguém ajuda a um cego a atravessar a rua e posta status falando sobre, esperando ganhar a estrelinha dourada pra colocar na testa. Porque é claro, a sociedade anda tão intolerante, impaciente,  individualista que ajudar a um cego atravessar a rua se torna extraordinário. Uma dica útil, pra toda a vida: Boa ação não se conta, apenas se faz, esse é o espírito, não precisa mostrar para o mundo que hoje você foi gentil. Todo mundo é santo, todo mundo prega a paz e o amor, todo mundo se comove com história triste. O que me pergunto às vezes é se todo mundo que se comove tanto faz algo para ajudar alguém, se já fez alguma vez algum tipo de trabalho voluntário, se alguma vez tirou dinheiro da sua breja pra ajudar a alguma ONG. Quem faz, não fala.

Sempre tem alguém que se faz de santo, de rico, de garanhão, de personalidade forte, e se faz, se faz... Difícil é ver alguém que se faz verdadeiro. Mas porque é tão difícil não se preocupar com a opinião dos outros? Porque é tão importante ter uma imagem forjada? Será que o conteúdo da embalagem não é tão bom? Porque toda essa insegurança? Isso não é liberdade, sinto muito em dizer.
Eu, liberta que sou do pensamento alheio, acredito que quem tiver que gostar de mim que goste, quem não gostar, amém. Simplesmente por ter plena consciência de que só fica na nossa vida quem vale a pena, e portanto, não preciso que todos me achem bonita, não preciso que todos me achem simpática, nem faço questão que todos saibam da minha vida, da minha rotina e muito menos das minhas conquistas. É melhor ser feliz em silêncio.

A essa juventude que cai na dependência das redes sociais, eu desejo que curta o role com os amigos, beije muito o namorado ou namorada, que se olhe no espelho e se sinta bem, sem se preocupar com curtidas. Desejo que sejam livres.

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